segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A DIALÉTICA DA REDENÇÃO OU O CONTROLO DE UMA NAÇÃO - O Arrebatamento da Luz nos Regimes Escópicos

Resumo: O ser humano, enquanto agente semiótico, tem procurado através da arte formas de estender o seu logos, buscando na luz uma representação do Absoluto que lhe sirva de significação metafísica, mas também apropriando-se da mesma ao revesti-la com um cariz ideológico de controlo. Concatenar os diversos tipos artísticos e conferir-lhes “organicidade”, de modo a serem percetíveis pelo seu público destinatário, foi o objetivo de algumas das esferas de poder mais preponderantes da Europa medieval e hodierna. Movimentos artísticos como o Barroco, ao serviço do comitente religioso e monárquico, ou a arte totalitária, como préstimo secular contemporâneo, procuraram iluminar as massas ao criarem a sua própria Gesamtkunstwerk na sociedade como um todo. Este tipo de regimes prossegue assim políticas de reorganização do mundo com elevada consideração pela cultura visual, incorrendo naquilo a que se denomina por Estado Estético.

Palavras-Chave: Luz, Arte, Barroco, Gesamtkunstwerk, Arte Totalitária, Estado Estético.


Introdução
E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atónito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer. E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco. E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.
Atos dos Apóstolos, 9:3-9

A luz como geradora de vida e como ato de tornar visível tem sido essencial para o ser humano, não só por possibilitar a sua existência física mas também pela influência que exerce na sua mundividência, além de servir de instrumento na reificação de ideais que por ele são perseguidos. A conversão do apóstolo Paulo (nome latinizado do hebreu Saulo), cuja narração figura em epígrafe, demonstra o poder da luz enquanto representação do divino que, condescendendo para com um ser mortal e de ordem inferior, permite a este incorrer numa transformação interior, ou numa Erleuchtung, no qual o esmagamento e reconhecimento da sua pequenez perante o infinito se dá com a súplica: “Senhor, que queres que eu faça?”
A polaridade entre as trevas que simbolizam a destruição, decadência e morte, e a luz, como elemento capaz de curar, regenerar e salvar, serviram como base escatológica para um pensamento doutrinário que prevaleceu durante a Cristandade e que se acentuou com a Contra-Reforma, notabilizando-se não somente pela teologia mas também através de representações artísticas que evocam a mesma. Todavia, a preponderância da luz enquanto “fogo purificador” (Malaquias 3:3), ou “veículo arrebatador” (I Reis 19:11-12), não se circunscreve somente às demandas de uma sociedade religiosa, mas, e também, é invocada com as suas devidas especificidades às nações mais seculares, ao perseguirem determinados fins políticos e ideológicos.
A Igreja Católica Apostólica Romana, enquanto força de Estado reinante na Europa Medieval, fez uso do seu elevado legado de mecenato, de modo a que as artes plásticas e arquitetónicas pudessem servir os seus interesses na propagação da fé, ao adjudicar ao povo os seus palácios, na sumptuosa construção de igrejas e basílicas, cuja monumentalidade contrastava com a exiguidade de uma massa agrária, inculta e pobre (Angoulvent, 1996; Bonney, 1989). Este modus operandi da Igreja consolidou-se ainda mais aquando do combate às novas doutrinas produzidas pela Reforma, bem como pela formação dos Estados Absolutistas, originando assim o movimento artístico denominado de Barroco. Nos seus moldes encontramos uma arte que tinha como intensão cooptar o povo, apelando para um sensacionalismo, ao mesmo tempo que apresentava imagens criadas com formas naturalistas, como meio de proporcionar uma compreensibilidade imediata aos seus interlocutores.
Decorridos não muitos séculos, a laicização de diversos países europeus e o concomitante avançar da Era Industrial ajudou ao estabelecimento de novas estruturas de poder, fruto de pensamentos e teorias pós iluministas, no qual o homem emergiu como ser autónomo face ao infinito. A emersão e a consolidação dos Estados Totalitários substituíram assim a ideia de Deus como figura de redenção pela ideia do próprio Estado per se, na qual os cidadãos servem os propósitos da nação em militância de um fervor quasi-religioso (Huxley et al., 1970). Regimes como o Nacional-Socialista ou o Comunista pregaram esta nova doutrina através de máquinas propagandistas complexas, institucionalizadas em figuras como o Ministro do Reich para a Iluminação Pública e Propaganda (encabeçada por Joseph Goebbels), no caso alemão, ou em organizações estatais como o Prolekult (Organização para a Cultura e Iluminação do Proletariado), na realidade russa, onde o sensorial era explorado de forma a iluminar as massas para seguirem os altos desígnios da nação (Golsan, 1992). A corrente artística ao serviço do Totalitarismo foi assim uma importante ferramenta no processo de ideologização, de modo a poder cativar as massas, mas através da linguagem das mesmas. Ou como refere Goebbels:

“Por assim dizer, a arte não pode redundar numa teoria estética individualista. A arte sai do povo e deve chegar ao povo e, por isso, deve ser compreendida por todos. A arte é um meio pelo qual o povo se interpreta a si mesmo.”
É neste rigor estético associado à imagem política, quer de cariz religioso, quer de vertente laica, que se pretende analisar, comparar e refletir brevemente acerca da importância da luz no arrebatamento das massas, e o papel ideológico da mesma ao provocar o ser humano a seguir determinados fins, onde a ténue linha que divide a libertação da opressão se pode esboçar na tela de um quadro, nas páginas de um livro, nas ondas radiofónicos ou televisivas, no ecrã de um cinema e ainda nos empreendimentos arquitetónicos de uma nação.


Uma Luz na Idade das Trevas
Remontando ao período da Antiguidade Clássica, verifica-se que para Platão a estética e a questão do belo encontravam-se a um nível superior no mundo inteligível, onde o belo é o bem, a verdade e a perfeição. Posteriormente, Aristóteles, de modo diferente, acreditava que o belo era inerente ao ser humano, sugerindo a arte como uma criação particularmente humana, dentro do universo daquilo que é sensível ao homem (Abbagnano, 1999). Mais tarde, a autoridade eclesiástica da Idade Média introduziu na conceção do belo a identificação direta com Deus, como o único Ser supremo ao serviço do bem e da verdade. Na realidade, tanto Santo Agostinho como São Tomás de Aquino identificaram a beleza com o bem, que mais não é do que um dos reflexos de Deus (Huxley et al., 1970).
Nos finais da Era Medieval, a mesma autoridade eclesiástica rejeitou a autoridade científica que marcava uma forte e notória presença, exatamente por se verificar um distanciamento da associação dos fenómenos à vontade divina. Com esta nova realidade, o artista da Renascença passou a ter uma dimensão coerente com a sua capacidade criativa, isto é, deixou de ser um imitador ou um serviçal de Deus, para passar a ser um criador absoluto no uso pleno do seu potencial ou genialidade criativa (Léon, 2006; Rudel, 1987). Assim sendo, com a rutura do pensamento tradicional teológico-político teocentrista, do cosmos e do funcionamento do homem, a problemática da caminhada da ação para a paixão Barroca inscreveu-se nas relações entre a razão, o poder espiritual e a existência de Deus. Logo que o mundo saiu da cadeia metafísica medieval, aplicação rigorosa da visão Tomista da relação tripartida de Deus, o Mundo e o Homem, surgida após o Concílio de Trento (1545-1563), abriu-se o caminho à afirmação da laicização do pensamento filosófico e do pensamento jurídico-político (Angoulvent, 1996).
Com o pensamento Cartesiano, o encadeamento das razões lógicas que simbolizavam o modus vivendi humano, segundo a formulação tripartida do Tomismo, colocou-se em novos termos (Angoulvent, 1996; Huxley et al., 1970). Numa primeira hipótese, de acordo com a perspetiva de René Descartes, passou a integrar-se um Deus físico, sendo-lhe retirado o Seu carácter divino e atribuindo-lhe características físicas ou imanentes e não metafísicas. Numa segunda hipótese, Deus é um Deus metafísico, que construiu e rege o mundo e os homens, segundo as três ordens de Blaise Pascal: a ordem da matéria (o mundo); a ordem da razão (o homem); e a ordem da caridade (Deus). Em verdade, o pensamento destes dois filósofos constituiu um verdadeiro desafio à ordem estabelecida, porque qualquer que fosse o modelo considerado, tornava-se necessária uma reorganização do mundo.
Aquilo que se denomina por pensamento/movimento Barroco surgiu por volta de 1540-1550, coincidindo o ano de 1540 com o início da Contra-Reforma, mais concretamente com a criação da companhia de Jesus (Angoulvent, 1996). Os grandes políticos tinham, de um modo geral, uma visão revolucionária que opunha-se à tradição medieval, podendo assim considerar-se o Barroco como o conceito da primeira modernidade, que vai romper definitivamente com as interpretações associadas à problemática do mundo oculto ou fechado. Foi a modernidade Barroca que geriu as grandes descobertas científicas e formas morais de “explosão” no estádio terrestre, que passou pela emergência de várias igrejas cristãs, pela demonstração da rotundidade da terra, da tomada de consciência do “outro”, ao descobrir-se uma nova cartografia (que surgiu, na realidade, como um novi orbis), pelo despertar das mentes, com o desabrochar da imprensa, e ainda pelo fim da língua única e universal que o latim representava e, nesta linha de pensamento, da hegemonia eclesiástica que o derivava (Huxley et al., 1970; Minguet, 1988). Poder-se-á arguir que, num sentido filosófico, o movimento Barroco é simbolizado pela Revolução Coperniciana, como o acontecimento que mais transformou os espíritos pensantes. Passou-se assim de um velho mundo fechado para um novo mundo aberto à ciência, às línguas e á circulação de ideias.
É pois, neste novo paradigma social e político que nascem as artes Barrocas, entre outras, das consequências da Reforma e da Contra-Reforma, que se estendem por toda a Europa expandindo o seu gosto pelo fausto, pelo movimento da cor e pelo seu sentido de representação, da magnificência, do espetáculo, da encenação, da liturgia grandiosa, quer seja a de Deus ou a dos grandes deste mundo (Jay, 1988). Como diz Philippe Minguet:

“Composições assimétricas, diagonais, convergentes, esplendorosas e, acima de tudo, composições dinâmicas. O Barroco, pintura ou escultura, é uma arte em movimento e, por conseguinte, uma arte do momento, do instantâneo captado no seu desequilíbrio transitório, uma arte já ‘cinemática’ que postula o facto temporal, uma arte não apenas a três, mas a quatro dimensões, e, por essa razão, a maior parte das vezes uma arte dramática em que tudo é acção, surpresa, e mesmo violência.” (1988: 18)
Partindo-se do postulado que o Barroco pode ser visto como um sistema de contestação, é a própria Igreja Católica que, após o Concílio de Trento, aproveitou a arte Barroca como a forma de expressão adequada a uma reorganização do mundo, como modelo de reorganização metafísica do pós-Tomismo:

“Em resposta ao protestantismo, a igreja romana, em conformidade com as recomendações e as exigências do Concílio de Trento, exalta a função da arte como meio de mediação entre o homem e Deus. Ligada a fins morais, a arte deve responder, assim, a certos imperativos e sobretudo, aderir a uma expressão rígida de ‘decência’ histórica e moral.” (Rudel, 1987: 81)
É por esta razão que se pode olhar para o Barroco como uma forma de arte propagandística, como um produto de uma sociedade católica, monárquica e, iminentemente, absolutista, cujos elementos complexos se agrupavam espiritualmente à volta de Deus e temporalmente à volta do príncipe (Bonney, 1989). Ou seja, a arte Barroca encontrava-se ao serviço da Igreja, que sentia necessidade de voltar a encher os seus templos, e do poder absolutista. Efetivamente, a grandeza e magnificência das suas pinturas como que absorviam os “rebanhos” humanos numa visão carregada de simbolismo e luz que os tornava pequenos perante a grandiosidade das divindades religiosas e temporais (Copleston, 1979). A arte Barroca pretendeu, de forma contundente, ser a expressão física do triunfalismo da Contra-Reforma, estando para isso fortemente impregnada duma mensagem propagandística e educadora das massas anónimas que agora se encontravam emersas em novas ideias e novos mundos geográficos e sociais.
Talvez por isso não seja, de todo, desadequado discorrer-se ao de leve acerca dos pintores mais importantes da época Barroca, sendo eles Jacopo Robusti (1518-1594), mais conhecido por Tintoretto, e Michelangelo Merisi (da Caravaggio) (1571-1610), entre outros, ao colocarem a sua arte ao serviço da Cristandade, que se sentia ameaçada pelas novas ideias da Renascença, quer estas se colocassem a partir do espírito filosófico ou do espírito científico (Angoulvent, 1996; Léon, 2006).
Tintoretto, mestre do Maneirismo, não descurando todavia de um estilo individual que facultaria posteriormente uma passagem suave para o Barroco, era aclamado pelos burgueses, pelas comunidades religiosas e pelas agremiações da cidade de Veneza. Desde a sua primeira interpretação de A Última Ceia, em 1547, até à que realizou no ano do seu falecimento, o seu estilo ficou marcado em todo o seu espectro pelo carácter religioso. Quanto às especificidades técnicas da sua obra, estas consistiam no alongamento das figuras, na utilização de perspetivas, como na mesa de A Cerimónia do Lava-Pés (1547), nos espaços amplos e profundos que conseguia ao desviar para o lado as personagens, numa composição assimétrica, e na iluminação, sempre violenta, que criava efeitos de claro-escuro em obras como as do conjunto realizado para a Escola de São Roco (1581-1587).
Caravaggio foi o pai do Naturalismo. As suas obras revolucionaram o panorama pictórico italiano dos finais do século XVI, ao exaltar e aproximar o individual do quotidiano, mostrando o caminho da salvação. O Naturalismo foi a corrente artística que tomou como modelo a realidade palpável, para a aplicar em termos históricos ou religiosos. O artista italiano trocou os idealizados protagonistas maneiristas por personagens comuns, que nem sempre foram do agrado do comitente, além de ter contribuído muito no panorama artístico com o uso magistral que fez do claro-escuro. As suas primeiras obras foram caracterizadas pela luminosidade das suas figuras sobre fundos escuros.[1] Todavia, a verdadeira protagonista dos seus quadros acabou por ser a luz, que modelava as figuras e criava o espaço. As cenas das suas pinturas eram iluminadas por um único foco de luz exterior que, de cima, fazia ressaltar a expressão das mãos e dos rostos das personagens. Com a luz criava um grande efeito espiritual que comovia o espectador. As suas obras posteriores[2] trouxeram consigo a consagração da pintura tenebrista. Caravaggio acentuou a luminosidade relampejante em composições cada vez mais grandiosas, fazendo um uso quase ideológico do jogo de sombras e de luz. Assim,

“a importância inteiramente nova dos jogos de sombra e de luz é talvez o aspecto mais surpreendente da nova pintura, a luz é o meio de expressão essencial do artista que, de forma pluridimensional, escava nas trevas, rutila sobre as vestes, agarra-se às jóias e modela ou acaricia os corpos nus.” (Léon, 2006: 176)
É importante ressalvar que o focus artístico do Barroco foi favorecido por diferentes mecenas. Em Itália foram os papas que patrocinaram uma arte exuberante e teatral, que obedecia ao desejo de evidenciar o triunfo da Igreja, depois de superados os rigores da Contra-Reforma, e que se converteu no ponto de partida para o resto da Itália, o continente americano e mesmo o extremo Oriente. A arte Barroca era exatamente aquilo de que precisava uma Igreja desejosa de manter o protagonismo e um povo cujas condições de vida eram cada vez mais difíceis. A realeza espanhola dos últimos Habsburgos foi outra cliente que utilizou a proteção das artes como meio de prestigiar a sua política e esconder o seu declínio. Em França, a arte foi utilizada pelos soberanos absolutos para exaltar o Estado. Todavia, a arte de Luís XIV afastou-se da exuberância italiana e optou por uma arte racionalista e codificada, nascida nas academias (Minguet, 1988). Em Inglaterra, Flandres e Portugal, assim como nas comunidades hispânicas e lusas do ultramar, a arte constituiu igualmente objeto de proteção oficial. Os artistas eram considerados artesãos, pois eram encarregados de transmitir as mensagens idealizadas pelo poder constituinte. Contudo, aqueles, durante o Barroco, persistiram na luta para melhorar a sua condição social e económica. Os pintores continuaram a defender o lema ut pictura poesis, que postulava que a pintura tinha a mesma categoria da poesia (Angoulvent, 1996).
Durante o Barroco, a arquitetura, a escultura e a pintura uniram-se estreitamente para criar a obra de arte total. A pintura e a escultura integraram-se na arquitetura, deixando de ter carácter decorativo e concebendo-se como elemento da representação que se realizava no grande teatro arquitetónico. É assim verossímil definir a arte Barroca, em geral, e a pintura em particular, como manifestações do poder estabelecido: o dos grandes monarcas, o da rica burguesia protestante e o da Igreja triunfante. As diferentes tendências pictóricas respondiam ao desejo de glorificação ou de afirmação de cada um destes protetores. Concluindo, pode-se afirmar que o Barroco serviu a Igreja como instrumento da Contra-Reforma, o classicismo, os intelectuais, o realismo, a burguesia e os monarcas absolutos.


Eritis Sicut Dii
Com a falência para muitos da religião, que desde o século XIX encontrava adversários ao nível da razão e do pensamento, e com a perda do humanismo cristão verificados com os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial, houve alguns que encontraram substitutos emocionais na deificação do Estado, como aconteceu com o movimento Nacional-Socialista alemão. Assim que o Absoluto saiu do plano metafísico, os homens começaram a encarar o Estado como um novo Absoluto.
Julian Huxley et al. (1970: 99)

O Nacional-socialismo não pode ser entendido em toda a sua dimensão senão atentar-se à cultura e estética Nazi. O Nacional-Socialismo induziu a estética na esfera política de modo a tornar a vida num trabalho de arte unificado. Torna a política num reino do belo para compensar o custo pelo desencantamento da modernidade e para suturar indivíduos singulares num espetáculo aglutinador, uma simulação estética de comunidade. Profundamente enraizada no poder do visual, a imaginação da pós-modernidade permanece assombrada pelas extravagâncias da cultura e estética Nazi.
Lutz Koepnick (1999: 1)

Para muitos tida como uma das mais profundas expressões de criatividade e originalidade individual, qual espírito dionisíaco impregnado de pura emotividade, a arte também tem sido utilizada como veículo promotor de religiões, ideologias ou culturas, vertente essa carregada de um espírito apolíneo, com as suas raízes bem fundamentadas na história[3] (Copleston, 1979; Léon, 2006). Como se verificou anteriormente, durante a Idade Média a arte adquiriu, através do Barroco, um papel de mediação simbólica entre o divino e o ser humano, ao mesmo tempo que se esforçava por manter o status quo do poder dominante. Porém, com a Revolução Coperniciana, personificando o espírito racionalista, iniciou-se o declínio dos dogmatismos e afirmou-se a omnipresença da razão, consciente da sua capacidade de tornar o homem dono e senhor da natureza e da sua própria fortuna. No devir que se seguiu ao Aufklärung das mentes, a Era Industrial surgiu como aplicação direta das ciências naturais, mecanizando as populações nas suas divisões laborais consequentes, e criando as primeiras massas de indivíduos padecidas de anomia social. Ao esboçar-se a Idade Contemporânea, a falibilidade da razão face à crise de valores resultante das hecatombes perpetradas pelo homem mergulhou-o num pessimismo que ansiava de novo por um Absoluto:

“As ideologias totalizantes pretendiam representar a verdade histórica revelada (seja na classe, seja na raça, seja na Nação, seja nas massas). Elas eram, como diria Daniel Bell, religiões seculares, enquanto ‘ideologias totais’, visões do mundo capazes de orientar normativamente cada vida singular ao mais ínfimo pormenor.” (Santos, 2012: 114)
Os Estados Totalitários (aqui interpretados como nazismo e comunismo), como herança moderna do absolutismo monárquico, e em desrespeito pela Cosmópolis humana, tentaram impor através da força e da ideologia uma nova visão ao homem que lhe era súbdito, criando pela propaganda um sentimento de pertença, um “nós” artificial face ao “outro”, que era estranho, suspeito e, por assim dizer, um inimigo que devia ser eliminado (Overy, 2005; Sontag, 2009). No século XIX, filósofos como Georg Hegel viram no homem, enquanto membro de um Estado, um ser completamente moral, que ao trabalhar com os outros realizava a vontade divina, glorificando os sentimentos patrióticos naquilo que denominaram por espírito do povo, isto é, volksgeist (Huxley et al., 1970). Líderes totalitários como Adolf Hitler fizeram uso de todos os tipos de media ao seu dispor de modo a cooptar as massas a incorrerem numa weltanschauung, ou seja, uma orientação cognitiva fundamental de um indivíduo ou de toda uma sociedade, para que sentimentos patrióticos como o de volksgeist pudessem ser imanados. Vê-se assim a importância da estética como um dos vetores preponderantes nas políticas de reorganização que estes regimes tinham para o mundo, ao apropriarem-se da retórica da arte enquanto elemento teleológico. Como Walter Benjamin expôs (referido in Koepnic, 1999: 4):~

“o barroco e, subsequentemente, o fascismo, imiscuíram as esferas de valor e de cognição, de modo a criar uma unidade proporcionada pela arte. Assim sendo, a estética fascista assalta a perceção, neutraliza os sentidos e nega o corpo enquanto local de prazer autónomo.”
É então possível identificar-se a existência de uma estética totalitária, como fazendo parte integrante dos regimes totalitários que permearam o século XX. Nestes regimes a arte totalitária surgiu como um tipo incontestável de cultura de massa que utilizou de forma peculiar a indústria cultural sob o controlo rígido do Estado, concretizando aquilo que se denominou por Estado Estético (Smith, 2007). Este tipo de arte tinha como linhas gerais proporções monumentais e grandiloquentes; na pintura, uma padronização das técnicas de representação, com um estilo realista mas, ao mesmo tempo, idealizado; na arquitetura, linhas retas e homogéneas (geralmente apontando para o céu); na simbologia de Estado, o uso preponderante de uma cor sobre as outras (comummente o vermelho); na narrativa, a desindividualização e utilização de personagens coletivas (a massa); nos eventos e comícios de Estado, a opulência dos coros, das marchas e da sua coregrafia irrepreensível; em suma, no ethos, uma reverência ao trabalho rural, ao esforço físico, ao atletismo, à perfeição dos corpos, ao fetichismo pela coragem, à obediência absoluta (uma “egomania” em junção a um espírito de servitude), e a uma “glamorização” da própria morte (Sontag, 2009).
Na perspetiva que a mais sublime forma de arte servia para criar ideais que resistissem ao teste da eternidade, deparamo-nos com uma narrativa de redenção política por meio daquela (Golsan, 1992). O Estado Estético completava-se, por assim dizer, como aquele que sintetizaria a música, a literatura, a pintura, a escultura, a arquitetura e o design dos palcos com a própria política, consubstanciando-se numa gesamtkunstwerk, ou seja, a obra de arte total. Uma vez que a gesamtkunstwerk contém idiossincrasias com a própria sociedade alemã, na viragem da modernidade para a contemporaneidade, e que se assume como parte integrante do posterior totalitarismo alemão, será importante uma pequena reflexão sobre a mesma, na medida em que Matthew Smith (2007: 8) considera que “a gesamtkunstwerk é o leviatã da modernidade. Os seus piores momentos são quando deu entrada no mundo. Os seus momentos de mais completa realização são os momentos de maior horror vividos pela história.”
Como já referido, no final do século XIX, a Alemanha, entre outros países europeus, sofreu os impactos da Revolução Industrial, que afetou profundamente a constituição do tecido social. O período do Romantismo em que a mesma vivia levou artistas a expressarem pessimismo, somente ultrapassável pela arte:

“O industrialismo era brutal, a não ser que fosse remido pelo amor à vida e à arte; e a arte era imoral, a não ser que regenerasse e libertasse os homens. Tanto o explorador como o explorado tinham de ser salvos de si próprios pelo artista, que era o único a saber o que era bom para o homem e para que é que o homem era bom.” (Huxley et al., 1970: 299)
Friedrich Schiller discorreu da modernidade como um período que “dilacerou a própria essência da vida social, até que nada restou a não ser um pequeno fragmento do todo” (referido in Smith, 2007: 12). Na opinião do filósofo, este novo paradigma social entrava em pleno contraste com a antiguidade grega, em que as comunidades dialógicas preconizadas por Aristóteles eram harmonizadas nas relações entre os seus cidadãos. Sucede-se assim que o novo comércio e indústria, inicialmente com a divisão laboral e depois com o desenvolvimento da produção capitalista, substituíram a cultura orgânica por uma vida coletiva e mecanizada (como se se tratasse de um mecanismo de relógio), e o caminho de regresso à totalidade perdida subjazia aos cuidados da própria arte.
Também em Richard Wagner estava patente o carácter teleológico da arte, enfatizando a importância de uma arte total. Para o compositor,

“a arte não pode erguer-se sozinha, mas somente na mais elevada das harmonias com as condições de vida em sociedade. (…) a gesamtkunstwerk é um trabalho associativo, que é somente concebível na colaboração de todos os artistas. Não é o espírito solipsista, que procura uma arte redimida na natureza, que conseguirá dar forma ao trabalho artístico do futuro, mas somente o espírito de companheirismo, preenchido pela vida, pode fazer com que essa obra se concretize. O povo já não mais será uma classe afligida; pois pela arte, nós seremos um.” (referido in Smith, 2007: 9)
Segundo estes autores, a ideia de uma sociedade mecânica radicava então na insuficiência da sua cultura como apta, per se, a criar algo de novo, sendo para tal necessário recorrer-se a uma corrente estética totalizante (i.e., uma nova forma de arte), que facultasse à sociedade uma capacidade orgânica (pressagiando o advento de uma nova sociedade), para se comportar como um todo uno e cooperante. Hilter, enquanto admirador da obra e das ideias de Wagner, tentou estilizá-las ao ponto de recriar a sua versão imanente da Festspielhaus[4], ao comandar os desígnios da nação como um espetáculo de drama, música e coreografia fundidos num só, carregados de emoção e ideologia, com o seu ethos enunciado através do pathos (Sontag, 2009).
Em 1935, a produção do Triumph des Willens (Triunfo da Vontade), foi talvez um dos exemplos mais preponderantes da estética e ideologia ao serviço da propaganda Nazi, sem, no entanto, descurar o cariz artístico que colocou Leni Riefenstahl enquanto artista ao serviço de uma estética idealizada como uma gestaltung – um todo artístico orgânico (Koepnic, 1999). Neste filme, Hitler surge vindo dos céus como um Messias pronto a iluminar e resgatar a nação de toda a opressão, miséria e vergonha que incorreu desde a Primeira Guerra Mundial, com a premissa subliminar de que as massas prestassem obediência incondicional[5] ao Estado que este representava (Sontag, 2009). O Triunfo da Vontade foi o primeiro filme a operar como um elo numa cadeia maior de performance total, altamente controlado pelo Estado Estético. Segundo Smith (2007: 5):

“Um dos motivos últimos deste ciclo de performance total foi Nuremberga, a cidade que serviu de emblema como um Estado Estético, e o reerguer da nação, através da música, da união e do cinema no Terceiro Reich. O filme de Riefenstahl presenteou o Volk alemão como a derradeira obra de arte total.”
Aquilo que Benjamin definiu como uma estetização da política sob o totalitarismo fascista, podia ser apreciado a todos os níveis da cultura (Koepnic, 1999). Por um lado havia os comícios, os edifícios monumentais, as emissões radiofónicas partidárias e os filmes propagandistas  Por outro lado a transformação dava-se na estrutura do quotidiano, substituindo-se os feriados cristãos pelas celebrações nacionais-socialistas, forçando as crianças e os jovens a pertencerem a mocidades partidárias, substituindo os sindicatos trabalhadores pelos sindicatos do regime, estabelecendo o sieg heil (salve vitória) como cumprimento universal, distribuindo uma cópia do Mein Kampf em cada lar alemão, entre muitas outras imiscuições da esfera política na esfera pública e privada dos cidadãos.
De acordo com Lutz Koepnic (1999: 100), “debaixo de todas estas transformações reside uma conceção mais profunda, explorada com detalhe em diversos estudos, do próprio Volk como barro a ser esculpido numa unidade orgânica, pela mão de um mestre artesão.” Para Goebbels, a política era a forma de arte mais excelsa e mais abrangedora, “e nós, que damos forma à política da Alemanha moderna, sentimo-nos como artistas, a quem nos foi confiado a grande responsabilidade de lapidar as massas, de modo a conferir-lhes uma estrutura sólida enquanto Volk[6]. Num registo diferente em ideologia mas semelhante em significado, encontramos Lenin a confiar aos artistas russos, praticantes da corrente artística cognominada de Realismo Socialista, a criação de um novo tipo de homem – O Novo Homem Soviético. Mais tarde, Stalin descreveu esses artistas como “engenheiros de almas” (Overy, 2005: 354).
Se os Estados Totalitários estiveram aptos a reunir um apoio maciço, tal facto ocorreu porque estes conseguiram dar resposta a necessidades reais, e porque compreendeu como construir desejos e fantasias individuais, ao difundir utopias de renascimento coletivo na arquitetura material da vida pública e privada (Overy, 2005). Assim sendo, e como prática material, a ideologia Nazi e Comunista cristalizou-se no próprio gestalt da vida quotidiana (Koepnic, 1999). Na medida em que reconstruiram a realidade como um “sonho” (ou pesadelo?), as políticas ideológicas da Alemanha Nazi e da Rússia Comunista, tornaram-nas num exercício de um tipo de materialismo radical, pois tentaram mudar o mundo ao reinterpretá-lo. As ideologias totalitárias “falaram” a corpos sencientes ao invés de mentes, astutamente reconhecendo e organizando a faculdade mimética das pessoas – a sua habilidade para imitar o outro, para colmatar em vez de colapsar diferenças entre sujeito e objeto, e produzindo semelhanças –, o seu desejo por conectarem-se com ou serem transformadas pelo outro de modo a desenvolver relações simpatéticas e não coercivas entre particulares não identitários (Golsan, 1992; Sontag, 2009). Em súmula, as políticas culturais destes regimes engenharam emoções e domesticaram perceções de modo a refundir o corpo político da nação.
As demandas do homem moderno, como constatadas neste breve percurso intelectual, posicionaram-no face a um Absoluto agora preenchido por valores imanentes, ao invés de transcendentes. Ao parecer ter um maior controlo das variáveis mais prementes da sua existência, encontrava finalmente concretização a remissiva feita pela serpente que no Jardim do Éden tentou Eva com a promessa de que, “no dia que comerdes do fruto, se abrirão os vossos olhos, e eis que te digo, sereis como os deuses (eritis sicut dii)” (Génesis, 3:5).

Conclusão
Capelão da Prisão: “Choice... He has no real choice, has he? Self-interest, the fear of physical pain drove him to that grotesque act of self-abasement. Its insincerity was clearly to be seen. He ceases to be a wrongdoer. He ceases also to be a creature capable of moral choice.”

Ministro do Interior: “Padre, these are subtleties. We’re not concerned with motives, with the higher ethics. We are concerned only with cutting down crime, and. . . with relieving the ghastly congestion in our prisons. He will be your true Christian: ready to turn the other cheek, ready to be crucified rather than crucify, sick to the very heart at the thought even of killing a fly! Reclamation! Joy before the angels of God! The point is that it works.”

A Clockwork Orange (1971) (01:27:00-01:28:03)

Quando Alex, protagonista do filme A Laranja Mecânica, de Stanley Kubric, pede ao capelão da prisão para o ajudar a inscrever-se no programa de tratamento denominado de técnica de Ludovico, porque quer ser bom, aquele responde-lhe que “a bondade tem que vir de dentro” (00:59:09-01:00:56). Em Platão, encontramos que a alma era a mais preciosa propriedade do homem e o fim deste era a mais cerrada aproximação com o divino. Para Aristóteles, era a razão do homem que o distinguia da criação bruta e lhe dava o seu status peculiar no universo, ainda que essa mesma razão tivesse o melhor uso quando devotada à contemplação de assuntos da alma, em objetos eternos e imutáveis (Abbagnano, 1999; Copleston, 1979).
Ao longo da história da humanidade, o ser humano tem sido abordado por diversos regimes escópicos que salientam particularidades dos tempos em que ele habita, estabelecendo-se como estruturas simbólicas conotadas de carácter ético-normativo para a conduta humana. O conceito de luz, usado no Barroco e no Absolutismo para exprimir visões apoteóticas de redenção e sublimação, foram substituídas nos Estados Totalitários pela deificação do Estado e do líder, que num ato simbólico desce à terra para iluminar o povo (como se sucede no Triunfo da Vontade) e trazer-lhe a deliberação divina. Se bem que ambas as épocas a que aqui se fez menção recriaram esteticamente o mundo de uma forma singular, também é certo que o regime de ambas contribuíram para os maiores crimes humanos registados pela história, desde a opressão da liberdade, passando pelo assassinato em massa e culminando em guerras.
Verifica-se assim que a luz que ilumina, quando redirecionada do seu potencial para aquilo que em juízo estético e moral percecionamos de bem, também pode ser a luz que subjuga e oprime. Segundo Immanuel Kant (2009), cabe ao verdadeiro iluminado libertar-se da tutela em que este possa auto-incorrer. Se considerarmos a tutela como a incapacidade do homem em usar o seu próprio entendimento para ser guiado por outro, esta é auto-atraída quando a causa não é carente de inteligência, mas antes carente de determinação e coragem para usar a inteligência, precisamente para que pelo uso destas, o indivíduo não seja guiado por outro. O filósofo do iluminismo alemão racionaliza que embora um homem deva obedecer aos seus deveres civis, é-lhe deveras indispensável um uso público da razão, para que este não incorra, depois de interiorizar e fundamentar todo o seu weltanschauung, numa metanoia carente de qualquer catarse.
Na Cidade de Deus de Santo Agostinho, o Padre da Igreja diz que se a Providência foi responsável pela grandeza de Roma, foram o orgulho e o apego aos bens terrestres que causaram a perdição dos romanos. Os seus governantes pensavam possuir em si mesmos o que só a Deus pertence: “o Estado erigindo-se em fim supremo, substituindo-se a Deus, todavia, grande foi a sua queda” (2006, V, 26). Com a mesma escatologia, mas intervinda de racionalidade, fica no campo da verosimilhança humana perscrutar os eventos com que é confrontada, para que, através de uma dialética adequada, não se deixe cegar por uma luz que, afinal, possa ser trevas.

Bibliografia

Abbagnano, Nicola (1999). História da Filosofia Volume 1. Lisboa: Editorial Presença.
Agostinho, Santo (2006). A Cidade de Deus. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Angoulvent, Anne-Laure (1996). O Barroco. Mem Martins: Publicações-Europa América.
Bonney, Richard (1989). O Absolutismo. Mem Martins: Publicações Europa-América.
Copleston, Frederik (1979). Nietzsche – Filósofo da Cultura. Porto: Livraria Tavares Martins.
Golsan, Richard J. (1992). Fascism, Aesthetics and Culture. Hanôver: University Press of New England.
Huxley, Julian, Bronowski, J., Barry, Gerald, & Fisher, James (1970) O Pensamento – Filosofia, Religião, Moral. Mem Martins: Publicações Europa-América.
Jay, Martin (1988). Scopic Regimes of Modernity. In Foster, Hai (Ed.), Vision and Visuality. Bay Press.
Kant, Immanuel (2009). Answer to the Question: “What is Enlightenment?”. Nova Iorque: Penguin Books.
Koepnic, Lutz (1999). Walter Benjamin and the Aesthetics of Power. Omaha: University of Nebraska Press.
Léon, Paz Garcia Ponte de (2006). Breve História da Pintura. Lisboa: Editorial Estampa.
Minguet, Philippe (1988). France Baroque. Paris: Hazan.
Overy, Richard (2005). The Dictators: Hitler’s Germany, Stalin’s Russia. Nova Iorque: Penguin Books.
Rudel, J. (1987). La Peinture Italienne de la Renaissance. Paris: PUF.
Santos, João de Almeida (2012, Fevereiro e Março) Programa, Sumários, Bibliografia, Notas e Desenvolvimento – não editados – para exclusivo uso académico dos alunos de Doutoramento em «Ciências da Comunicação». Lisboa: ULHT e ECATI.
Smith, Matthew Wilson (2007). The Total Work of Art – From Bayreuth to Cyberspace. Nova Iorque e Londres: Routledge.
Sontag, Susan (2009). Under the Sign of Saturn: Essays. Nova Iorque: Penguin Books.



[1] Pertencem a este período as telas O Rapaz do Cesto de Fruta (c. 1593), Os Batoteiros (1594), O Tocador de Alaúde (1594), Baco (c. 1595), O Repouso da Sagrada Família (c. 1596), Madalena (1597), O Sacrifício de Isaac (1603) e São João Baptista (c. 1604).
[2] Neste leque fazem parte O Enterro de Cristo (c. 1604), A Virgem dos Peregrinos (1604), A Madonna com a Serpente (1605) e A Morte da Virgem (c. 1606).
[3] Já na Grécia Antiga Platão atribuía à arte um carácter educativo e comunitário, considerando aos artistas preponderância na educação do povo (Golsan, 1992).
[4] Salão de ópera construído em Bayreuth, para albergar em todo o expoente as obras mais carismáticas de Wagner.
[5] Este ponto é particularmente enunciado, uma vez que a purga que se veio a denominar como a “Noite das Facas Longas”, na qual tinham sido eliminados importantes membros das SA acusados de traição, tinha ocorrido poucos meses antes.